Lucas do Rio Verde foi destaque ontem (15) no Globo Repórter,

                                                  veja matéria

 

 

População administra escola pública com piscina e excelente padrão de ensino

 

 

 

Nem parece que estamos no Brasil. Uma cidade jovem e muito bem estruturada com Índice de Desenvolvimento Humano superior à média nacional. Bem vindo a Lucas do Rio Verde, Mato Grosso. Os pioneiros vieram do Sul do país no fim da década de 1980 para plantar soja e fizeram uma revolução no meio do Cerrado.

 

 

 

Parece um clube, mas é uma escola pública. Aliás, todas as escolas municipais são assim: têm até piscina semiolímpica.

 

“O aluno, se estuda de manhã, vem frequentar as aulas à tarde para que ele possa participar das competições estaduais que têm, as etapas estaduais, e quem sabe, buscando alguém, algum atleta que possa representar o estado a nível nacional também”, conta a professor de educação física Eltron Alves Moreira.

 

Aos poucos, aprender vai deixando de ser uma tarefa difícil. Na prática, a aula de ciências vira uma horta, e os alunos ajudam a construir o conhecimento. Quando bate a fome, ninguém reclama do almoço.

 

Já o lanche vem de uma padaria, construída especialmente para abastecer todas as escolas públicas. Além dos pães, a equipe da padaria também prepara outros alimentos que diversificam e enriquecem a merenda escolar, como, por exemplo, o macarrão de legumes, a torta de legumes, biscoito de fubá e a famosa ‘cuca’ que é recheada de frutas.

 

“Como muitas pessoas provêm da região Sul, nós adotamos a cuca dentro do cardápio da merenda escolar, visto que é um alimento bastante aceito pelos alunos. No caso dos macarrões caseiros, um é enriquecido com beterraba e o outro com abobrinha”, conta a coordenadora da padaria Vânia Haraki.

 

Tudo isso sem custo nenhum para os alunos.

 

“Qual é a mãe que não quer o filho estudando numa escola dessa? Todos querem, né? Às vezes as pessoas falam: ‘mas aquela lá é uma escola particular’. A gente diz não, é uma escola do município”, afirma Rejane Vieira, presidente do conselho de pais.

 

“Eu tenho a hora de estudar, eu tenho a hora de brincar, eu tenho a hora de poder refletir em tudo que os professores me ensinam, em tudo que eu posso aprender na escola, eu tenho a hora da criatividade, que eu posso poder inventar brincadeiras e tal”, diz Thaís Tamara da Silva Santos, estudante.

Em Lucas do Rio Verde, só é sedentário quem quer. A cidade tem 16 praças, todas muito bem equipadas e com professores de educação física.

 

“A gente veio do Maranhão. Lá não tem essa estrutura que essas praças aqui tem”, conta a operadora de produção Josiane dos Santos Silva.

 

Qualidade de vida bancada pelo dinheiro que brota no campo. O bom desempenho das lavouras abriu novos campos de oportunidades e deu um sinal verde para o futebol.

 

No estádio Passo das Emas, em Lucas do Rio Verde, o único time criado e financiado pelo agronegócio teve uma conquista histórica para Mato Grosso. Com apenas nove anos de atividade, conseguiu chegar à Série B do Campeonato Brasileiro. O Luverdense agora é motivo de orgulho.

 

Já para um casal de nordestinos, a vitória veio com a conquista de sonhos que eles trouxeram na bagagem.

 

“Hoje a gente conseguiu realizar o sonho da casa própria que faz dois anos já. Temos nosso carro, temos moto. Bem, a gente vive bem aqui, tranquilo, sossegado”, afirma Deiwson Rafael Vasconcellos, do setor de manutenção.

 

Com a chegada das indústrias, as vagas de emprego se multiplicaram. E a população também. Hoje Lucas do Rio Verde tem cerca de 50 mil habitantes.

 

O crescimento da população, ainda que planejado, traz consigo desafios que precisam ser enfrentados, como o aumento da criminalidade. A tecnologia entrou como aliada da polícia no combate à violência e ao tráfico de drogas. Hoje, 18 câmeras estão espalhadas pela cidade em pontos estratégicos para ajudara identificar quem anda fora da lei.

 

Outra preocupação é com o desmatamento provocado pelas lavouras. Os produtores estão recuperando as nascentes com o plantio de espécies nativas.

 

Globo Repórter: Como é que foi o seu trabalho na sua propriedade aqui?

 

Otávio Galo, produtor rural: Aqui não foi muito fácil, porque na época isso tudo era soja, área de plantio de soja, e aí você tem que comprar as mudas das árvores, que tem um custo e manter para elas chegar desse porte você tem que roçar.

 

Globo Repórter: Vale a pena?

 

Otávio Galo: Vale a pena, com certeza.

 

E assim os moradores vão superando os desafios e criando raízes. Muitos já nem pensam mais em visitar os parentes em outros estados. Foram os parentes que se aproximaram.

 

Luciana de Souza Bauer, diretora da escola: Hoje, Lucas do Rio Verde já é a nossa casa, nossa família, já trouxemos conosco mais parentes. Hoje tenho meus irmãos no estado do Mato Grosso, todos trabalhando também e muito bem graças a Deus.

Globo Repórter: Vai ficar por aqui?

Luciana de Souza Bauer: Vou ficar por aqui.

 

 

Clique e confira o vídeo da matéria

 

 

 

Fonte: globo.com/globo-reporter