Está em fase final a colaboração premiada do ex-deputado estadual José Geraldo Riva. A informação foi publicada pela coluna Radar, no site da Revista Veja. De acordo com a publicação, o político admitirá à Procuradoria-Geral da República (PGR) ter distribuído, ao longo de 20 anos, mais de R$ 100 milhões em suborno. Os advogados do político não foram localizados para comentar a informação.

A informação de uma possível delação por parte do ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), um dos políticos mais influentes do Estado nas últimas duas décadas, tem ganhado o noticiário nacional nos últimos meses. Entre outras coisas, ele deverá dar sua versão acerca dos episódios narrados pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB), cuja colaboração foi homologada recentemente pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux.

Fontes ligadas ao Judiciário afirmam que para conseguir fechar o acordo, Riva teve que incluir na colaboração pessoas do seu entorno, a exemplo de Silval, que incluiu entre os delatores seu chefe de gabinete, irmão, esposa e filho. Uma destas pessoas teria apresentado o maior volume de provas, uma vez que era ela a responsável por tratar dos esquemas, destaca a mesma fonte.

Nem mesmo a mudança no comando da PGR, que agora tem como procuradora-geral Raquel Dodge, deve atrapalhar o prosseguimento da delação de Riva, que a exemplo do que ocorreu com Silval, será analisada pelo STF, por envolver pessoas com prerrogativa de foro por função.

Confessar delitos não é mais uma novidade em se tratando de Riva. Em abril de 2016, ele decidiu mudar sua postura em relação aos diversos processos a que responde. Em audiência de instrução e julgamento da ação penal fruto da Operação Ventríloquo, deflagrada em 1º de julho de 2015 para desmantelar um esquema de desvio de R$ 9,4 milhões da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, ele chorou e confessou sua participação no episódio.

Do mesmo modo, o ex-deputado continuou a colaborar com a Justiça nas ações derivadas da Operação Arca de Noé. Mesmo assim, já soma duas condenações em primeira instância, que juntas representam mais de 44 anos de prisão em regime fechado. Outras sentenças neste caso devem ser proferidas em breve, incluindo em inquéritos instaurados depois que ele deixou a política, em dezembro de 2014.

A reportagem procurou os advogados de Riva, mas eles não atenderam as ligações até o fechamento da reportagem. Na última manifestação de sua defesa, capitaneada pelo advogado Rodrigo Mudrovitsch por conta da Operação Descarrilho, o jurista afirmou que José Riva está colaborando com as investigações. As informações prestadas por ele ao MPF estão sob segredo de justiça’.