A interdição de 24 horas foi retomada nas proximidades de Castelo do Sonhos (442 quilômetros de Sinop), esta manhã. Apenas ambulâncias com pacientes podem passar. Já caminhões, carretas, caminhonetes e veículos de passeios serão liberados amanhã, às 7h. Nos próximos dias, os bloqueios ocorrerão nos trechos conhecidos como Quilômetro Mil, Alvorada da Amazônia, Novo Progresso, Morais Almeida, Comunidade São Francisco, Três Boieiras e Caracol. As informações foram confirmadas pelo presidente do Sindicato Rural de Novo Progresso (PA), Agamenon da Silva Menezes.

O bloqueio nos trechos paraenses causa impactos diretos também nas atividades de empresas (transporte de cargas, ônibus e demais), profissionais liberais de cidades do Nortão de Mato Grosso porque liga os dois Estados e tem grande circulação de carretas, caminhões e veículos.

Eles são contrários a Medida Provisória 756/16 que alterou os limites da Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, desmembrando parte de sua área para a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) do parque. As mudanças ambientais estariam ligadas a viabilização do traçado da ferrovia Sinop-Mitirituba, a Ferrogrão, que será feita pela iniciativa privada.

“Estamos perdendo mais de 800 mil hectares de áreas que poderiam ser plantadas. Na produção de bovinos, caiu 600 mil cabeça de gado pelo menos. Nossas terras produzem muito. É uma perca incalculável para essas regiões. Passamos por dificuldade financeira por falta de incentivo do próprio governo”, diz Agamenon. “A situação das comunidades localizadas nas áreas é complicada. Os grileiros não são as pessoas que vivem aqui, mas sim pessoal do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Quando eles entraram nessas áreas nem existia este instituto. Eles inibiram os moradores das suas propriedades colocando todos na ilegalidade” e  depois disso o Ibama começou a aplicar multas, “retirando o gado e embargando as propriedades. Foi um prejuízo enorme que tivemos. A área tinha uma média 300 mil cabeças de gado e foi reduzida para 200 mil, na época. Além disso, o moradores ficaram impedidos de abrirem cadastros para se manterem. Além de não resolver o problema que já existe, criaram essas áreas de restrições aumentando mais de 230 mil hectares e um parque para proibir o trabalho dos garimpeiros”, acusa.

“As pessoas já sofreram muito e continuam sofrendo por conta dos desmandos do governo. Estamos passando por ataques constantemente. O município de Novo Progresso, por exemplo, têm 72% de áreas de proteção ambiental contado com a reserva do Exército da Serra do Cachimbo, área que criou do Jamanxim.  Mesmo assim, estamos sofrendo com esse ataques. Eles causam um transtorno tão grande. Falam e divulgam números exacerbados (sobre desmates). Enquanto o governo não regulariza, não titula e não dá licença para que as pessoas possam trabalhar”. “Nestes mais de 11 anos de luta foram muitas pessoas mortas. O Ibama chega na propriedade e espantam o gado, fortemente armados, atiram nas panelas e espalham os alimentos deles no chão. Essas pessoas são humilhadas. É uma falta enorme de esperança na política. Estão destruído vidas e não valorizam”, acusa o dirigente sindical.

No mês passado, o presidente Michel Temer (PMDB) vetou essa MP. De acordo com as entidades, a medida altera os limites do Parque Nacional do Parque Nacional do Jamanxim e cria a Área de Proteção Ambiental Rio Branco para ser construída a ferrovia. Temer vetou mudança, feita pela Câmara, que aumentou em 100 mil hectares a transformação em APA no Parque Nacional do Jamanxim, que não estava na proposta original.

Um dos líderes do manifesto aponta que, “devido a passagem da Ferrogrão foi barganhada uma área do parque por uma área produtiva do município” o que pode resultar na “falência do principal setor que movimenta o comércio. Ficarão apenas 3,9% das áreas do município para produção agrícola. Ou seja, mais de 230 mil hectares de terras produtivas vão virar área de preservação ambiental e não existe projeto para beneficiar os agricultores e a cidade”.