O Festival de Pesca “O Matrinxã do Brasil”, que chegaria a 18ª edição em 2017, foi cancelado pelo Poder Executivo de São José do Rio Claro, a 315 quilômetros a Médio-Norte de Cuiabá.

O anúncio foi feito na tarde desta quarta-feira (21) em um vídeo explicativo, compartilhado pela Assessoria de Comunicação da prefeitura via página oficial no Facebook.

O entretenimento é realizado tradicionalmente durante a última semana de agosto, no balneário localizado na confluência dos Rios Claro e Arinos, conforme instituído na Lei Municipal nº 432/1999.

Maior evento turístico da região, o ambiente reúne cerca de 30 mil participantes (inclusive do exterior) por ano, com atrações musicais, culturais e desportivas, além de oferecer amplo espaço para o camping, com capacidade para 233 lotes acampáveis em uma área total de 29.435,93m².

O fluxo econômico retorna ao município por meio de impostos e taxas, posto que o comércio rio-clarense lucre com o Festival de Pesca, tanto no setor hoteleiro, quanto ao consumo em restaurantes, lojas de artigos de pescaria, confecções, taxistas e motofretistas.

Entretanto, parcerias com a iniciativa privada, entidades sociais e o valor arrecadado com as inscrições dos competidores seriam insuficientes para arcar com as despesas e premiações, com gastos em torno de meio milhão de reais. Desse custo, inclui-se manutenção, infraestrutura, pagamento de prestadores de serviços, funcionários, segurança, shows, entre outros.

A ausência de recursos, aliada às dívidas anteriores e ao planejamento da atual gestão, motivou a decisão. De acordo com o prefeito, Valdomiro Lachovicz (PP), a verba será revertida em investimentos nas áreas prioritárias e conclusão de obras.

“Com essa crise econômica que passa o Brasil todo, nós não vamos fazer o Festival esse ano, mas não quer dizer que não faça no ano que vem. O pouco dinheiro que tem, vamos arrumar as estradas, aplicar em saúde e em educação”, esclareceu.

A secretária municipal de Indústria, Comércio e Turismo, Bianca Lachovicz, completa que requerimentos foram encaminhados aos parlamentares e órgãos estaduais solicitando auxílio, mas a devolutiva aponta à falta de viabilidade financeira para os repasses.

“Após feitos os protocolos, começamos a receber as respostas dos deputados e até mesmo da Secretaria de Cultura e Turismo informando que não há recursos para a realização do Festival de Pesca”, lamentou.

Para a responsável pelas Finanças municipais, Ângela Maria Alcanforado, o primeiro ano do mandato objetiva atender o princípio da continuidade e reordenar o fluxo econômico para garantir crédito nas futuras parcerias.

“A prefeitura se encontra em cartório, com protestos e precisa limpar o nome para ter essa credibilidade novamente junto ao comércio local e estadual. Temos que colocar as contas em ordem”, ressaltou.

Todavia, Lachovicz reforçou que tal cancelamento é pontual e estima que as comemorações futuras estarão garantidas quão logo as contas públicas estiverem quitadas. Para o prefeito, comemorações esporádicas não deverão sobrepor o exercício administrativo em prol da população rio-clarense ao longo do ano.

“Na hora que as coisas estiverem andando certinho, vamos fazer não apenas o Festival, mas outras festas. No momento não é hora de festarmos, mas sim trabalharmos para mudar. Vamos fazer muitas obras por São José”, concluiu.