O Fórum Sindical – que reúne representantes do funcionalismo público de Mato Grosso – decidiu não aceitar a proposta de pagamento parcelado da Revisão Geral Anual (RGA) apresentada na semana passada pelo governador Pedro Taques (PSDB).

Os sindicalistas marcaram para o próximo dia 7 de junho uma paralisação de 24 horas de modo a pressionar o Governo a abrir negociação. No mesmo dia, farão passeatas na Avenida do CPA, em Cuiabá, até a sede da Assembleia Legislativa.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público (Sintep), Henrique Lopes, a principal crítica é o fato de o Governo não ter feito uma “negociação”.

“Ele [Taques] não abriu negociação, apenas chamou a imprensa e informou como quer pagar. Mesmo com o Fórum tendo apresentado dois requerimentos pedindo para o Governo apresentar a proposta”, disse.

Segundo ele, os servidores se queixam de que a última parcela, pela proposta do tucano, será paga somente no final de 2018 (veja a proposta abaixo). Eles pedem que o pagamento ocorra ainda no exercício 2017.

“Queremos o pagamento dos últimos resíduos de 2015 em junho deste ano e a RGA de 2016 paga integralmente este ano. É o que está na lei”, afirmou.

Caso o Governo não mude a proposta, uma greve geral, por tempo indeterminado, não está descartada.

Mobilização

Ontem (29), os servidores descontentes com a proposta se reuniram em frente ao Legislativo para pedir a abertura de diálogo.

Em um carro de som, os representantes do Fórum criticaram a Gestão Taques, em especial setores como a Saúde e Educação.

A proposta

Conforme a legislação estadual, no mês de maio o Governo deveria dar a reposição referente à inflação do ano anterior. Portanto, os salários precisariam ser acrescidos em 2017 do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de janeiro a dezembro de 2016, que foi de 6,58%.

Taques propôs dividir o pagamento em duas parcelas de 2,15% e uma de 2,14%. O primeiro pagamento ocorreria em janeiro de 2018. A segunda em abril e a última em setembro do próximo ano.

O tucano também apresentou uma proposta sobre a RGA de 2017, que pela lei deve ser paga em 2018. Apesar de ainda não haver os números da inflação, Taques apresentou uma estimativa de 4,19% e propôs também seu parcelamento.

O pagamento ocorreria em duas parcelas, a primeira de 2%, a ser paga em dezembro de 2018. A segunda de 2,14%, paga em março de 2019.

Segundo ele, a medida se faz necessário por conta da crise econômica que passa o País e que atingiu Mato Grosso.

“Um dos temas que mais preocupa os servidores públicos é a questão salarial. O servidor é nosso maior patrimônio. São quase 100 mil e, em sua maioria, pessoas sérias que estão nos ajudando a melhorar o Estado. Mas temos uma crise econômica, a maior da história. E, desde 2015, há uma enorme frustração de receita, sem contar as transferências para Mato Grosso”, disse Taques.

“Mas, em razão de um consenso com os deputados estaduais da base, de que precisa ser pago, iremos honrar esse pagamento. Está é uma decisão pensada, trabalhada e estudada há muito tempo”, afirmou.