Os produtores rurais de Mato Grosso dão início, no dia 1º de maio, à vacinação do rebanho de bovinos e bubalinos contra a febre aftosa. Nesse ano, pela primeira vez, todo o rebanho deverá ser vacinado até 30 de maio. A expectativa é que 30 milhões de animais sejam imunizados em todo o Estado, com exceção do Pantanal.

Até 2016, a principal etapa da vacinação acontecia em novembro. Após solicitação dos pecuaristas, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e o Instituto de Defesa Agropecuária (Indea) inverteram o calendário. Agora, em maio é realizada a vacinação de todo o rebanho, de mamando a caducando, e em novembro são vacinados os animais de 0 a 24 meses e da região do Pantanal.

De acordo com o gerente-executivo do Fundo Estadual de Defesa Agropecuária (Fesa), Juliano Ponce, a alteração atende uma demanda antiga do setor. “Devido às chuvas intensas em novembro, o manejo do animal é mais delicado e a disponibilidade de pasto é menor neste período. Assim, havia maior perda de peso e a recuperação era mais lenta. Além disso, a vacinação em novembro coincidia com a estação de monta, quando os animais estão em fase de reprodução”, explica Juliano Ponce, em nota da assessoria de comunicação da entidade.

O presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Marco Túlio Duarte Soares, explica que a mudança do calendário deverá facilitar o manejo e destaca a importância da vacinação para manutenção do status sanitário do Estado de livre de aftosa com vacinação. “Recentemente foi anunciada a retirada da vacina em 2021, mas para que isso aconteça é imprescindível a vacinação em todas as etapas para consolidar a erradicação da doença. O produtor do Estado já demonstrou seu compromisso com a sanidade animal e há anos vem cumprindo seu papel e imunizando o rebanho”, afirma Marco Túlio.

O diretor da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Antônio Carlos Carvalho de Sousa, destaca ainda os benefícios para os produtores que fazem integração lavoura-pecuária. “A alteração atende ao pedido dos produtores de Mato Grosso, pois em maio as chuvas são menos frequentes do que em novembro, facilitando assim o manejo dos animais. Além disso, novembro é um mês em que os produtores que fazem Integração Lavoura-pecuária (ILP) estão semeando a soja e a vacinação de todo o rebanho gera mais trabalho do que em apenas nos animais jovens”.

Para que a mudança do calendário de vacinação fosse possível foi avaliada uma série de questões, como, por exemplo, se os laboratórios teriam condições de atender a demanda de vacinas para todos os animais no mês de maio, e não mais em novembro, como anteriormente. Todo esse estudo foi realizado pela Acrimat, Famato e Indea, que controla todo o estoque de rebanho e vacinas em Mato Grosso.

Estoque – O Instituto de Defesa Agropecuária vai aproveitar a mobilização em torno da campanha de vacinação para fazer uma atualização do estoque (número de animais) nas propriedades. “O produtor é obrigado a fazer essa comunicação porque, a posteriore, caso haja divergência, ele pode ser alvo de fiscalização”, completa a diretora técnica do Indea, Daniella Bueno.

O Estado conta com cerca de 105 mil propriedades com bovinos. O Indea fiscaliza, em média de 3% a 4% das propriedades – atingindo a marca de cerca de 30 mil propriedades fiscalizadas.

Mato Grosso é considerada área livre de febre aftosa com vacinação há mais de 10 anos. O último caso registrado da doença no estado foi há mais de 20 anos, em 1996. É responsabilidade de cada estado garantir a meta estratégica estabelecida pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento que compreende uma implantação gradativa de zonas livres no país, visando a erradicação da doença.

A doença – A febre aftosa é uma enfermidade altamente contagiosa que acomete bovinos, bubalinos, ovinos, caprinos, cervídeos, suídeos, entre outros – os chamados animais biungulados (com o casco fendido). Ela se caracteriza pela formação de bolhas (vesículas) e erosões (úlceras) nas tetas, entre os cascos e na mucosa oral e nasal dos animais.

Quando um desses sintomas é verificado, o produtor deve procurar imediatamente uma unidade do Indea ou ligar no disk-aftosa (0800-653015). Após o contato, um médico veterinário visita a propriedade. O vírus da doença dissemina rapidamente entre as propriedades por meio de contato com objetivos e materiais contaminados, como ferramentas, botas, entre outros, pelo trânsito de animais contaminados e até pela água e ar.

Campanha – Para reforçar a mobilização, as entidades estão realizando uma campanha publicitária, convocando para a vacinação. O mote desse ano é “Carne Forte. Carne livre de febre aftosa”. “Há mais de 20 anos os produtores, governo e entidades em Mato Grosso têm realizado, com sucesso, um grande esforço conjunto para impedir a doença. Com a campanha na mídia, além da convocação para a vacinação, queremos mostrar o esforço do produtor, que foi muito prejudicado com a operação que ficou conhecida como ‘carne fraca’. Nenhum frigorifico de carne bovina de Mato Grosso foi notificado durante a investigação e o produtor foi massacrado injustamente”, afirma o gerente executivo do Fesa.

Serviço – A vacinação contra a febre aftosa acontece de 1º a 31 de maio. A meta é vacinar 100% de todo o rebanho de Mato Grosso que é superior a 30 milhões de cabeças. Em 2016, foi alcançado o índice de 99,62% e em muitas cidades, como Poxoréu, Primavera do Leste, Reserva do Cabaçal e Santa Carmem, a meta de 100% foi alcançada.