Cadastro atualizado de empregadores que submeteram trabalhadores em condição análoga à de escravidão no país, a chamada “Lista Suja”, aponta que 40 pessoas foram encontradas nesta situação em Mato Grosso de 2012 a 2015. O levantamento, publicado pelo Ministério do Trabalho na noite de quinta-feira (23), após dois anos de suspensão, coloca o Estado em terceiro lugar com mais nomes na lista. Ao todo seis empregadores mato-grossenses aparecem na lista, entre eles o empresário Luiz Alfredo Feresin de Abreu, irmão da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO). A lista aponta que na área pertencente a Luiz Alfredo, em Vila Rica, foram encontrados cinco trabalhadores em condições degradantes em 2013.

De acordo com o superintendente Regional do Trabalho e Emprego (SRTE-MT), Amarildo Borges, a atualização da lista é muito importante para manter a sociedade informada sobre a existência de empregadores que submetem seus empregado a situações de extrema precariedade. Em Mato Grosso, três dos casos registrados pela “Lista Suja”, ocorreram entre 2012 e 2015 em Feliz Natal, Matupá e Itanhangá. Outros três são de 2016, registrados em Sorriso, Vila Rica e Paranatinga.

Segundo Borges, a lista em si não traz nenhuma penalidade aos empresários, mas torna público os nomes daqueles que insistem na prática. Lembra que há alguns anos, instituições bancárias chegaram a utilizar a lista para negar empréstimos e financiamentos para aqueles que estavam nela. “Não que isso é previsto como punição pela lista, mas aconteceu no passado, e agora vamos ver como será”.

Conforme o superintendente, apesar do número de nomes no Estado ter diminuído, não há motivos para comemorações. “Se tivéssemos apenas um caso já seria muito grave, imagine seis. São pessoas que são obrigadas a trabalhar em condições precárias, sem respeito à dignidade e ao direito trabalhista, isso é muito sério”.

Ele explica que em muitos casos o trabalhador é encontrado sem salário ou recebendo muito pouco, sem carteira assinada ou qualquer garantia trabalhista, em algumas situações até mesmo sem teto, bebendo água de poço, onde animais também usam, ou recebendo alimentação fraca para o esforço físico exigido de um braçal. Sem banheiro, e objetos para higiene pessoal. Em outros casos alguns empregadores chegam até mesmo impedir o trabalhador de sair do local.