Fim da piracema “precipitada” gera insatisfação em Mato Grosso

A maioria dos pescadores que começou a atividade pesqueira, no rio Paraguai, nesta semana, constata que muitas espécies, principalmente, pacu, ainda não desovaram.

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O fim do período de defeso da piracema nos rios de Mato Grosso, no dia 31 de janeiro, começa gerar insatisfação e questionamentos, principalmente, em Cáceres. A maioria dos pescadores que começou a atividade pesqueira, no rio Paraguai, nesta semana, constata que muitas espécies, principalmente, pacu, ainda não desovaram.

Várias postagens nas redes sociais, nos dois últimos dias, denunciaram o que classificaram de “carnificina” ou “peixeficina” no rio Paraguai, devido a existência de milhões de ovas encontradas nos peixes, capturados pelos pescadores.

“Quem foi o irresponsável que liberou a pesca? Já sei. É que o turismo tem mais valor do que tudo não é? Vai acabar o peixe e o turista vai viver de que?” indagou o internauta Alex Leal acrescentando que “não podemos ficar de braços cruzados, deixando o nosso maior patrimônio acabar” afirmou.

“É uma vergonha esses órgãos ambientais. Temos que nos unir e realizar um manifesto junto ao Ministério Público” sugeriu Dalbiano Ribeiro. Na mesma linha de raciocínio se manifestou Nilo Evangelista “temos que procurar e apurar as responsabilidades”.

“Fico muito triste porque se vê, claramente, que os peixes ainda não desovaram, por várias mudanças no clima. Será realmente, uma carnificina no rio Paraguai. Uma verdadeira covardia com o nosso pescado para satisfazer o prazer de outros” enfatizou Denise Bodoni.

Embora não tenha se manifestado por escrito, Francisco Vigo, chefe do Escritório Regional de Saúde, mostrou um pacu, pescado um dia após a liberação da pesca, com grande quantidade de ovas.

O que diz a Sema

Até o ano de 2015, o período de defeso ocorria entre novembro e fevereiro. Mas estudos realizados pelas instituições que compõem o Cepesca, em atendimento à Notificação Recomendatória do Ministério Público Estadual (MPE) nº 01/2015, apontaram a necessidade de mudança em razão do comportamento reprodutivo dos peixes.

Considerando o ciclo natural de reprodução dos peixes migratórios, foi estabelecido o período de defeso, que tem por objetivo possibilitar a renovação dos estoques pesqueiros para os anos seguintes.

A mudança na data realizada por Mato Grosso a partir do ano passado se embasou em um monitoramento reprodutivo dos peixes realizado pelo Cepesca, que mostrou que cerca de 75% dos peixes dos rios do Estado iniciam sua fase de ovulação em outubro; e em média 40% terminam esse período em janeiro.

“Foram mais de seis meses de monitoramento e também avaliação de séries históricas de estudos anteriores (desde 2004) para se chegar a esta proposta, com a participação de inúmeros parceiros”, explica Gabriela Priante diretora do Cepesca.