Eleição deixa cicatriz política em Mato Grosso

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eleiçoes 2016Política não é ciência exata e nem sempre o partido que não elegeu filiado é derrotado, pois há sempre a opção da coligação. Porém, os resultados das urnas nos 23 municípios revelam estatisticamente que o maior vencedor, em termos de poder municipal, é o PMDB. O governador Pedro Taques (PSDB) e seu vice Carlos Fávaro (PSD), dois dos principais políticos mato-grossenses, ficaram no centro de um furacão com a apuração das urnas.

O Brasil tentou implantar a verticalização do voto, mas essa não se viabilizou. Com isso, em Mato Grosso, nem a base de sustentação do governo nem a oposição consegue repetir nos 141 municípios suas alianças regionais. A fragmentação de candidaturas de aliados criou cicatrizes políticas, cujos desdobramentos são imprevisíveis.

Em Cuiabá a oposição fechou questão com Emanuel Pinheiro (PMDB) e derrotou em segundo turno Wilson Santos (PSDB), que foi o candidato do governador e seu vice. Mesmo com a união de oposicionistas, o cacique peemedebista Carlos Bezerra é considerado o grande vencedor. Em Barra do Garças, o prefeito Roberto Farias foi reeleito pelo PMDB com boa margem de votos, mas sem interferência da cúpula de seu partido.

Em Várzea Grande os partidos governistas pisaram no freio partidário para facilitar a eleição de Lucimar Campos (DEM) ao segundo mandato, o que aconteceu com folgada margem de votos. Ninguém no Palácio Paiaguás queria criar atrito com Jayme Campos, principal líder democrata e marido de Lucimar.

Rondonópolis, o terceiro maior eleitorado, foi palco da fragmentação da situação. O prefeito Percival Muniz (PPS) e seu vice Rogério Salles (PSDB), ambos aliados de Taques e Fávaro, se lançaram candidatos e foram vencidos pelo deputado estadual e ex-prefeito Zé Carlos do Pátio (SD).

Em alta perante a opinião pública, o prefeito Juarez Costa (PMDB), de Sinop, elegeu sua vice Rosana Martinelli (PSB) para sucedê-lo. Rosana também recebeu apoio do presidente de seu partido e senador Wellington Fagundes. O vice eleito em Sinop é o radialista Gilson Oliveira (PMDB).

Duas derrotas reviram as entranhas da sustentação de Taques. Em Lucas do Rio Verde o prefeito Otaviano Pivetta (PSB) foi batido por Fiori Binotti (PSD), que foi lançado por Fávaro. Em Sorriso, Dilceu Rossatto (PSB) perdeu para o tucano Ari Lafin. Pivetta e Rosatto foram companheiros de primeira hora de Taques quando de sua candidatura ao governo. Em Lucas, Fávaro foi o pilar da vitória de Binotti. Em Sorriso, o PSDB do governador sufocou Rossatto.
Em Tangará da Serra o prefeito Fábio Junqueira (PMDB) se reelegeu. A vitória de Junqueira foi facilitada pela disputa de votos entre o PSDB e o PSD. O tucano Vander Masson, filho do deputado estadual Saturnino Masson (PSDB), trocou farpas com Reck Júnior (PSD). Enquanto os governistas se dividiam entre Masson e Reck, Junqueira aplainava o caminho que lhe asseguraria mais quatro anos na prefeitura.

Em Cáceres, a chapa tucana encabeçada por Francis Maris foi vencedora. Francis conquistou o segundo mandato e sua reeleição foi tranquila. Taques e Fávaro não entraram em rota de colisão naquele município.

Em Alta Floresta a ex-prefeita em dois mandatos e suplente de deputada estadual pedetista Maria Izaura perdeu a disputa para o PMDB. Izaura apoiou Taques para o Senado em 2010 e ao governo. Sua derrota enfraquece o grupo governista no extremo norte de Mato Grosso.
Juína voltou ao poder do PT do deputado federal Ságuas Moraes com a vitória do suplente de deputado estadual e ex-prefeito Altir Peruzzo e permanece como bolsão de resistência partidária, apesar do desgaste nacional da sigla.

A poeira das eleições de 2016 ainda não abaixou, e somente quando isso acontecer será possível prever como será o próximo cenário eleitoral, em 2018. (EG).