Bancários e banqueiros de MT não têm acordo

Paralisação dos bancários completa 31 dias e já é superior à ocorrida em 2004, quando houve a primeira campanha nacional unificada

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greve bancariosHoje, a greve dos bancários completa 31 dias e já é superior à paralisação nacional ocorrida em 2004, quando houve a primeira campanha nacional unificada entre funcionários de bancos públicos e privados com duração de 30 dias. Em Mato Grosso, o movimento atinge 4 mil bancários filiados aos Sindicatos Estadual, Sul e Araguaia.

A greve mais longa da categoria na história foi em 1951 e durou 69 dias. Do total de 350 agências localizadas em todo o Estado, 280 estão fechadas.

Para tentar colocar um fim ao impasse, o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) realizaram no fim da tarde ontem, em São Paulo, mais uma rodada de negociação.

A categoria reivindica reajuste de 14,78%, sendo 5% de aumento real, considerando inflação de 9,31%, participação nos lucros e resultados (PLR) de três salários acrescidos de R$ 8.317,90, piso no valor do salário-mínimo do Dieese (R$ 3.940,24), e vales alimentação, refeição, e auxílio-creche no valor do salário-mínimo nacional (R$ 880). Também é pedido décimo-quarto salário, fim das metas abusivas e do assédio moral.

Atualmente, os bancários recebem piso de R$ 1.976,10 (R$ 2.669,45 no caso dos funcionários que trabalham no caixa ou tesouraria). A regra básica da participação nos lucros e resultados é 90% do salário acrescido de R$ 2.021,79 e parcela adicional de 2,2% do lucro líquido dividido linearmente entre os trabalhadores, podendo chegar a até R$ 4. 043,58. O auxílio-refeição é de R$ 29,64 por dia.

No dia 28 de setembro passado, a Fenaban apresentou reajuste de 7% e um abono de R$ 3,5 mil, com aumento real de 0,5% para 2017. Porém, em assembleia geral, os trabalhadores do ramo financeiro decidiram pela continuação da paralisação.

Os bancários afirmam que os banqueiros têm condições de atender as reivindicações, uma vez que ganharam R$ 30 bilhões de lucro líquido no primeiro semestre, cobram a maior taxa de juros do mundo, sendo o cheque especial de 350% de juros anual, cartão de crédito de 470% de juros ao ano. Enquanto isso, se recusam a dar um reajuste para a categoria que sequer repõe a inflação. A expectativa é que os bancos mudem e avancem as propostas.

Em nota, a Fenaban informou que apresentou três propostas aos representantes dos sindicatos. “A mais recente foi apresentada na última quarta-feira (28), na qual a entidade ofereceu aumento no abono para R$ 3.500,00, mais 7% de reajuste salarial, extensivo aos benefícios. Propôs ainda que a Convenção tenha duração de dois anos, com a garantia, para 2017, de reajuste pela inflação acumulada e mais 0,5% de aumento real”.

Segundo a federação, o total apresentado na proposta para 2016 “garante aumento real para os rendimentos da grande maioria dos bancários e é apresentada como uma fórmula de transição, de um período de inflação alta para patamares bem mais baixos”.

A paralisação tem causado transtornos para muitos clientes. Apesar de os serviços de internet banking e caixas eletrônicos funcionarem durante o movimento, alguns atendimentos ficam mais complicados como sacar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ou receber benefício social na Caixa Econômica Federal, sem o Cartão Cidadão.

Mesmo com a paralisação dos bancos, as datas de vencimento de contas não são alteradas. Em caso de atrasos, o cliente será e pode até mesmo ter seu nome enviado aos serviços de proteção ao crédito, dependendo do atraso.