Parada Gay leva cinco mil às ruas de Cuiabá; candidatos evitam ato

Mesmo com um tom politizado, nenhum candidato a prefeito compareceu ao evento, que esperava 15 mil nas ruas, mas só viu um terço disso

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Passeata Gay Cuiaba (1)Com o tema “Cidadania não é privilegio”, aproximadamente cinco mil pessoas desfilaram com muita cor e brilho nas principais ruas e avenidas de Cuiabá, na tarde deste sábado (24). A 14ª Parada do Orgulho Gay de Cuiabá reuniu diversas pessoas, de várias idades e opções sexuais, mas com o mesmo objetivo: lutar contra o preconceito e contra a homofobia que assola e, não raramente, assassina aquelas pessoas consideradas “diferentes”.

Com um tom mais político que dos anos anteriores, a festa começou às 14 horas, em uma concentração na Praça Ipiranga, no Centro de Cuiabá. O percurso teve início às 16h e seguiu pelas avenidas Tenente Coronel Duarte e Getúlio Vargas, até chegar ao destino final, na Praça Santos Dumont, às 18 horas. Com dois trios elétricos, fantasias extravagantes, cartazes com pedido de mais liberdade e respeito e outras palavras de ordem, gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros (LGBT), percorreram cerca de 10 quilômetros para lutar pelo direito de amar o outro, independentemente do sexo do parceiro.

“Nós queremos um país justo, livre de preconceito, um país igualitário. Nós somos mortos por sermos homossexuais, qual o problema disso?”

“Essa é uma das formas da população LGBT mostrar também que somos pessoas e que temos direitos iguais aos heterossexuais. Nós queremos um país justo, livre de preconceito, um país igualitário. Nós somos mortos por sermos homossexuais, qual o problema disso? Eu tenho 51 anos, sou homossexual e felizmente consegui fugir das estatísticas de ser mais um homossexual morto. E nós que conseguimos fugir desses criminosos, estamos lutando para que aquela pessoa que tenha uma opção sexual de gostar de uma pessoa do mesmo sexo seja livre para escolher. Essa parada é feita para nos dar visibilidade. O armário não nos cabe mais. É uma parada alegre. Uma parada política. Uma parada que mostra para a população os nossos direitos de viver como qualquer cidadão”, disse um dos organizadores do evento, Clóvis Arantes.

Como de costume em todas as edições do evento, uma bandeira de aproximadamente cinco metros, com o desenho de um arco-íris se destacou no meio das milhares de pessoas. Cartazes também reforçavam o pedido de respeito. “Sou gay, sou lésbica, sou bissexual, sou transexual, sou heterossexual, sou humano, somos todos iguais”, dizia uma militante LGBT, Roberta da Gama.

Namorando há três meses, o casal de lésbicas, Jéssica Rocha e Elisângela Rafaela resolveram firmar compromisso. “Decidimos ficar noivas ontem, na sexta-feira (23). Graças a Deus, pelo menos na minha família não existe preconceito, já que meu tio e irmã também são homossexuais. Viemos aqui para apoiar a população LGBT e mostrar para as pessoas que queremos direitos iguais, que nós temos direitos iguais todas as pessoas tem. Desde criança, já estava estampada na minha cara que gostava de meninas e a minha mãe percebeu isso. Ela é super liberal”, disse Elisângela, com anel de noivada.

Anderson Lima, um dos participantes, disse que o evento é uma forma de garantir mais respeito à diversidade. “É um movimento social e cultural de integração de gêneros para que diminua a violência, discriminação e forma de olhar para a homossexualidade. O pensamento da sociedade ainda é muito conservador diante dos diferentes tipos de comportamentos”, defende.

“A sociedade acha que queremos privilégio, não é isso. Nós queremos direitos e que o nosso direito seja respeitado. Por mais que sofremos preconceito, andamos de cabeça erguida porque não machucamos ninguém”.

Na lateral da Igreja Matriz, próximo à Prefeitura de Cuiabá, militantes lembraram a importância do voto consciente e fizeram um ato de apoio a um político que representa as causas LGBT’s. “Essa pausa aqui, próximo à Prefeitura, já é histórica na Parada LGBT de Cuiabá. Aqui fazemos o ato mais politizado, cobrando, pedindo e lembrando aos políticos que precisamos de direitos assegurados”, esbravejavam.

Apesar de estimularem o voto consciente em candidatos pró-LGBT’s, nenhum candidato a prefeito de Cuiabá compareceu ao evento. Por outro lado, alguns candidatos a vereadores marcaram presença.

“Escolhemos o tema, que é uma forma de cobrança porque cidadania não é privilégio. A sociedade acha que queremos privilégio, não é isso. Nós queremos direitos e que o nosso direito seja respeitado. Por mais que sofremos preconceito, andamos de cabeça erguida porque não machucamos ninguém. Sofremos discriminação, mas não nos calamos. Essa é uma forma de protestar pelos nossos direitos. Nós temos família, nós temos sentimentos. Nós temos o direito de amar quem a gente quiser. As pessoas tem de entender que amamos quem a gente quiser”, disse a rainha da 14ª Parada Gay, a transexual Gena Daves.

No ano passado, a 13ª edição da Parada da Diversidade Sexual reuniu, segundo a Polícia Militar, mil pessoas. O tema foi “Ame. Viva. Tenha Orgulho” os simpatizantes saíram às ruas em prol da luta contra toda forma de preconceito e em defesa dos direitos iguais para a comunidade LGBT .

A passeata passou pelas Avenidas Prainha, Getúlio Vargas e desceu a Isaac Póvoas. O encerramento foi marcado por apresentações culturais e shows em frente à Câmara Municipal de Vereadores, na Praça Pascoal Moreira Cabral, na rua Barão de Melgaço.