O presidente do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Teles Pires, Otaviano Pivetta (prefeito de Lucas do Rio Verde) afirmou, ontem à noite, durante audiência pública na câmara sorrisense, que em 90 dias o consórcio comandará o hospital que hoje é gerido por uma OSS – Organização Social de Saúde -. “A proposta (de voltar) não é do consórcio. Há um entendimento com o governo do Estado desde o inicio do governo do Pedro Taques, que os hospitais da região seriam transferidos para a gestão do consórcio dos 15 municípios. Nós criamos o consórcio, cumprimos todo o ritual, buscamos toda a unanimidade entre os municípios, prefeitos e secretários, criamos um plano de trabalho. O objetivo é melhorar o atendimento, aumentar a oferta de serviços e diminuir o custo que os hospitais tem e eliminar todo e qualquer foco de desvio que existe porque a gente sabe que existe”, declarou. “Precisamos primeiro é desfrutar do que o hospital pode oferecer e não está oferecendo e quem pode fazer isso melhor são os gestores locais aqui, é o poder público local, os prefeitos, os secretários, que sentem na carne todo dia as reclamações da sociedade. Esse é um modelo de relação entre o estado e os municípios, através dessa região, que tem grande chance de ser um case de sucesso para ampliar esse modelo de gestão para outras regiões.” As prefeituras de 15 cidades encaminham moradores para serem atendidos em Sorriso e pagam pelos serviços.

O secretário estadual de Saúde, Eduardo Bermudez, deputados estaduais Mauro Savi, José Domingos, Oscar Bezerra e Leonardo Albuquerque, além de prefeitos, presidentes de câmaras, secretários municipais de Saúde, servidores e moradores participaram da audiênca. Bermudez afirma que  a proposta de gestão do Estado está baseada no que foi discutido com todos os integrantes do consórcio “onde 15 prefeitos da região estabeleceram, ano passado, o desejo de assumir o hospital de Sorriso e inclusive o hospital de Sinop, mas este último está sob uma questão jurídica pra ser resolvida. No caso de Sorriso, temos uma possibilidade de dar um passo muito importante a frente, ou seja, ampliar a oferta de serviços e não estamos fazendo nenhum tipo de imposição. É um desejo dos principais signatários da região que são os prefeitos, que em consórcio desejaram e que está sendo proposto nessa audiência pública”, afirmou.

Mauro Savi (PSB) afirmou que a principal questão a ser debatida é a forma de atendimento no hospital, independentemente de quem seja o responsável pela gestão. “Não podemos aceitar mais ter que ligar pra um deputado, ter que ligar para um amigo para arrumar lugar pra ser internado, encaminhar pra Cuiabá em uma regulação que até então tem funcionado, mas nós não queremos isso. Nós queremos que funcione. Se o modelo é consórcio, se é gestão própria, se o modelo é OSS, não importa. Queremos que o governo fiscalize isso e funcione realmente, agora, não podemos usar o hospital para política,” cobrou.

O presidente do Sindicato dos Servidores da Saúde do Estado, Oscarlino Alves, não é favorável ao consórcio de municípios assumir a gestão do hospital. “Estamos fazendo o enfrentamento com o governo do pagamento do RGA, que é a revisão geral nossa, uma guerra de todos os sindicatos do poder executivo. A gente é pego de surpresa (com a notícia que o consórcio vai assumir em 90 dias). O secretário (estadual de saúde), sem comunicar o sindicato dos trabalhadores, faz tratativas com alguns políticos aqui da região para entregar o hospital pro consórcio Teles Pires. Nós fizemos várias reuniões com esse secretário e ele jamais comunicou o que ele quer e aí o maior patrimônio que a gente tem, cerca de 200 trabalhadores, sendo utilizados como se fossem equipamentos, manobrados, mudados de lugar. Não é assim que funciona. Somos a favor do trabalhador, que fez concurso para trabalhar na Secretaria de Saúde e esse hospital já foi administrado pela secretaria e a coisa funcionava. O que precisa é fazer concurso público na saúde, tem 14 anos sem fazer. Vamos procurar o Ministério Público, o juizado e vamos tentar impedir essa situação vexatória que é entregar o hospital pro consórcio”, afirmou.

Os deputados Zé Domingos, Oscar Bezerra, prefeitos, vereadores, secretários de Saúde e funcionários do hospital também participaram da audiência.